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O que o jornalismo tem a ver com isso?

O que o jornalismo tem a ver com isso?

Quando me formei em jornalismo, em 2010, o que se aprendia na faculdade sobre social media era, apenas, que as redes sociais existem. Nenhuma aula da graduação me preparou para unir o jornalismo às mídias sociais, embora na época elas já tivessem bastante relevância na comunicação, e alguns até ousassem decretar a morte do jornalismo em decorrência delas, afinal, cada um poderia publicar os acontecimentos que presenciou, e bastaria uma curadoria para todo mundo se informar.

Dez anos depois, já deu para perceber que até tentou-se fazer as notícias serem criadas e circularem de forma tão horizontal, mas em vez da morte, o resultado foi o renascimento do jornalismo e o reforço da importância dele em um mar de fake news que já decidiram eleições e mudaram rumos de certas pandemias, em certos países... 

O jornalismo vem se reinventando há muito tempo, e felizmente percebemos, ainda lá atrás, que no campo da comunicação também vale a máxima "se não pode com eles, junte-se a eles". E talvez caiba aqui também aquela outra, que me dá saudade da praia em tempos de quarentena, "camarão que dorme a onda leva". O jornalismo não só pode como precisa coexistir com as mídias sociais, e quem já atuava e ocupava postos de gestão, quando eu ainda era uma foca de redação, foi descobrindo na tentativa e erro os melhores caminhos para fazer essa fusão dar certo. 

Quais caminhos são esses? Não sei se há uma resposta certa para essa pergunta, e se há, não sou eu a formulá-la. Eu vim aqui em busca de pistas para sanar as minhas dúvidas, e felizmente as encontrei. 

Hoje, além de trabalhar com criação de conteúdo para marcas, tenho um site sobre maternidade feminista chamado Cria Para o Mundo, que tem sido meu laboratório, e sinto que o desafio de conciliar jornalismo e social media persiste, especialmente porque o produto que “vendemos” tem características bem específicas. Muito do que faz sentido na gestão de marketing de uma marca de roupas, ou do bolinho Ana Maria, não se encaixa nos perfis de um portal jornalístico. Mas percebi que há lições valiosas que podemos tirar de bons trabalhos da área, ainda que em campos diferentes do nosso. 

O curso Social Media Exponencial me ajudou a perceber que, ainda que eu não venda bolinhos com gosto de infância, eu vendo - mesmo que sem cobrar - o meu conteúdo. Como repórter, eu tenho um olhar estritamente jornalístico para o meu conteúdo. Como gestora, eu também preciso entendê-lo como um produto a ser consumido.

Por isso, eu também preciso traçar um planejamento de marketing considerando a jornada do consumidor, elaborar diferentes conteúdos considerando as etapas de awareness, consideração, compra (o que, no nosso caso, é a leitura), experiência própria e experiência compartilhada.  

O conteúdo do curso me fez ver que preciso engolir o meu orgulho e admitir que, ainda que elaborar pautas seja a minha especialidade, eu posso fazê-lo melhor se adotar técnicas de marketing e dar o braço a torcer para os posts do tipo help. Por muito tempo pensei que, no meu site, se quero ter credibilidade jornalística, não posso misturar grandes reportagens com conteúdo help. E agora, o meu desafio é elaborar e desenvolver pautas nesse formato, que não fujam da minha linha editorial e nem da minha brand persona. Elas não vão ser o meu conteúdo principal, nem o de maior destaque, mas com certeza vão ajudar mulheres a sanar dúvidas mais objetivas e a descobrir no nosso site um espaço de acolhimento, que é o real objetivo desse projeto.

Entre outras tantas descobertas que fiz, como a importância de pensar também em conteúdos hero exclusivos para as leitoras mais participativas, e a urgência em enxergar diferentes formatos para uma mesma pauta - ainda que repórter pense sempre em estruturas de texto -, o mais importante é que, com uma compreensão mais aprofundada do marketing, o jornalismo que fazemos ganha leveza, fluidez e uma capacidade muito maior de envolver nosso público para passar nossas mensagens de maneira mais assertiva, e para que ele esteja mais aberto a recebê-las. É isso que todo jornalista quer, afinal. 

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